Corticoide Antenatal nos 20 centros da RBPN: 2011-2018*

By 16 de dezembro de 2019 Nossos dados

A administração do corticoide antenatal antes do parto prematuro diminui risco de mortalidade neonatal, acelera a maturidade pulmonar, com diminuição da frequência de síndrome do desconforto respiratório, promove a estabilização hemodinâmica ao nascimento e reduz a frequência de hemorragia intraventricular, além de diminuir o risco de enterocolite necrosante (1). Estudo apresentado pela Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais no 23º Congresso Brasileiro de Perinatologia demonstrou que o corticoide antenatal é tão eficaz em gestação única quanto em múltipla, levando à menor indicação de reposição de surfactante, diminuição da ocorrência de pneumotórax, redução da necessidade de oxigênio com 36 semanas e queda importante da mortalidade hospitalar (2). Há indicação de corticoide antenatal em gestantes com risco de resolução da gravidez entre 24 e 34 semanas ou antes disso, se forem tomadas medidas ativas para a sobrevida do concepto. De maneira ideal o ciclo completo do corticoide, com duas doses de betametasona ou quatro doses de dexametasona, deve ser administrado entre 24 e 168 horas antes da resolução do parto (3).

Nesse contexto, considera-se como indicador de qualidade de assistência perinatal a exposição de prematuros ao corticoide antes de seu nascimento. Monitorou-se, portanto, a administração de pelo menos uma dose de corticoide antenatal nos 20 centros da Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais, sendo analisados 11,451 neonatos entre 23 e 33 semanas de idade gestacional, com peso de nascimento entre 400 e 1499 gramas, sem malformações e nascidos nos próprios centros da rede, entre 2011 a 2018. Observa-se, no gráfico, elevação do uso de pelo menos uma dose de corticoide no decorrer do tempo, sendo inferior a 70% em 2011 e aumentando para 85% em 2018. Vale ressaltar que, nos centros Rede da Vermont Oxford Network, em neonatos com idade gestacional entre 24 e 29 semanas, sem malformações e nascidos nos próprios centros, a administração de pelo menos uma dose de corticoide antenatal era 86% em 2009 e 92% em 2016 (4). Ou seja, há uma oportunidade de melhorar a exposição de recém-nascidos brasileiros ao corticoide antenatal. De que forma pode-se melhorar? Um dos caminhos sugerido é analisar o uso em seu próprio centro e, com base nisso, criar protocolos de atuação perinatal, melhorando a parceria e a comunicação entre as equipes de neonatologia e obstetrícia.

 

REFERÊNCIAS

  1. Roberts D, Brown J, Medley N, Dalziel SR. Antenatal corticosteroids for accelerating fetal lung maturation for women at risk of preterm birth. Cochrane Database Syst Rev 2017;3:CD004454. [cited 2019 Dec 16]. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6464568/
  2. Martinez FE, Gonçalves-Ferri W, Lopes JMA, Almeida MFB, Guinsburg R. É o corticosteroide pré-natal em gestações múltiplas tão eficaz quanto em gestação única? Apresentação no 23º Congresso Brasileiro de Perinatologia em 14-17 de setembro de 2016, Gramado, RS. [cited 2019 Dec 16]. Available from: http://redeneonatal.com.br/site/wp-content/uploads/2016-23_cong-bras-perinatol_Martinez-F_corticoide.pdf
  3. National Institutes of Health (NIH) Consensus Development Conference Statement. Effect of corticosteroids for fetal maturation on perinatal outcomes. Am J Obstetr Gynecol 1994;173:246‐52.
  4. Vermont Oxford Network – NICU by the numbers [homepage on the internet]. 40% Care gap in outborn infants for receipt of antenatal steroids [cited 2019 Dec 16]. Available from: https://public.vtoxford.org/nicu-by-the-numbers/40-care-gap-in-outborn-infants-for-receipt-of-antenatal-steroids/

 

* COMO CITAR ESTA REFERÊNCIA:
Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais -RBPN [homepage on the Internet]. Uso do corticoide antenatal nos 20 centros da RBPN: 2011-2018 [cited 2019 Dec 16]. Available from: http://www.redeneonatal.com.br